Classificação dos seres vivos


     A superfície da Terra é habitada por inúmeras espécies de seres vivos e já há muito tempo. Inicialmente o Homem se interessou em conhecê-los e estudá-los movido pela necessidade de alimento (carne, leite), itens de vestuário (peles) e instrumentos de trabalho (ossos, ganas, unhas). Há 9.000 anos ocorreram as primeiras tentativas de domesticação e, desde então, o Homem  vem procurando mudar as características físicas e comportamentais das espécies domesticadas, selecionando aquelas que melhor atendam às suas necessidades.  

Desde a Antigüidade o Homem se preocupa em reunir em grupos os seres vivos de tal forma que se facilite o estudo, criando um ramo da ciência chamado de Taxionomia . Foram criados, nas diferentes épocas, sistemas de classificação que envolviam critérios diferentes, como o ambiente onde os seres eram encontrados, o tamanho dos organismos, a forma de locomoção, a forma externa. Esses sistemas, baseados em classificações artificiais, foram sendo abandonados gradativamente, até que por volta de 1735 um naturalista chamado Carl von Linée, mais conhecido como Lineu, publicou em seu livro Systema Naturae um sistema de classificação baseado em dois princípios:  

I- o uso de palavras latinas para denominar os grupos de organismos;  
II- o uso de categorias de classificação, constituindo indo uma hierarquia, que seriam, em ordem decrescente: Reino, Classe, Ordem, Gênero e Espécie.  

     Nesse sistema, dentro do reino seriam colocadas várias classes; numa classe, várias ordens; numa ordem, vários gêneros; em um gênero, várias espécies. Portanto, dessa maneira, no conjunto Reino estariam incluídos todos os conjuntos menores ( classe, ordem, gênero e espécie). 

Esse sistema se baseia no grau de semelhança entre os indivíduos e, portanto, serão mais próximos os indivíduos com maior número de semelhanças na estrutura corporal, na fisiologia, no embrionário.  

     Com o passar do tempo o sistema de Lineu foi sendo reorganizado passando a tentar refletir a evolução da vida na Terra, diferentemente do ponto de vista original de Lineu, que publicou seu trabalho antes das idéias evolucionistas de Darwin e, com o desenvolvimento de novos métodos de estudo outras características passaram a integrar os critérios de semelhança, como o número e a forma dos seus cromosomas, os genes que os constituem e até a seqüência, o número e o tipo de aminoácidos de suas proteínas. 

     Por causa disso, para agrupar os organismos, houve a necessidade de serem criadas novas unidades de classificação (ou taxons), sendo que a unidade básica do sistema atual é a espécie.

Analisando-se o esquema acima você pode concluir que um reino é formado por filos, que são formados por classes, que são formadas por ordens, que são formadas por famílias, que são formadas por gêneros, que são formados por espécies. Assim, o reino é a unidade em que encontramos maior número de indivíduos, mas o grau de semelhança entre eles é pequeno ao contrário do que ocorre em uma espécie.  

     A espécie é definida como sendo conjunto de seres capazes de se cruzar em ambientes naturais e originar descendentes férteis. Considera-se, então, que esse grupo está isolado reprodutivamente de outros grupos que ocupem o mesmo ambiente e exclui-se o cruzamento que só ocorra em condições especiais, como o cativeiro, e a fecundação artificial.  

     As outras unidades foram sendo definidas de acordo com o que se segue:  

> espécies semelhantes formam o gênero;  
> gêneros semelhantes formam a família
> famílias semelhantes formam a ordem;  
> ordens semelhantes formam a classe;  
> classes semelhantes formam o filo;  
> filos semelhantes formam o reino.  

     Entre outros exemplos possíveis, veja a classificação do Homem e do cão:    


   HOMEM  CÃO
 REINO  Metazoa  Metazoa
 FILO  Chordata  Chordata
 CLASSE  Mammalia  Mammalia
 ORDEM  Primatas  Carnivora
 FAMÍLIA  Hominidae  Canidae
 GÊNERO  Homo  Canis
 ESPÉCIE  Homo sapiens  Canis familiaris

Note que o Homem e o cão apresentam algumas unidades de classificação em comum : reino, filo e classe. Agora observe a classificação do cão e da raposa vermelha: 

   RAPOSA  CÃO
 REINO  Metazoa  Metazoa
 FILO  Chordata  Chordata
 CLASSE  Mammalia  Mammalia
 ORDEM  Carnivora  Carnivora
 FAMÍLIA  Canidae  Canidae
 GÊNERO  Vulpes  Canis
 ESPÉCIE  Vulpes vulpes  Canis familiaris

Observe que a raposa e o cão apresentam um número maior de unidades de classificação em comum.  
     Além dessas categorias sistemáticas, pode-se usar outras intermediárias como sub-reino, superciasse, subgênero etc., para demonstrar graus de parentesco mais estreitos.  

     Até dentro de uma mesma espécie, podemos encontrar subgrupos como as subespécies, raças ou variedades, que diferem entre si, geralmente como resultado de uma distribuição geográfica diferente ou de cruzamentos dirigidos e seleção artificial (aquela que é feita pelo Homem). Organismos de uma mesma espécie podem, ainda ter diferenças no tamanho e forma do corpo, como ocorre no verme causador da esquistosomose ( o macho é maior e abriga a fêmea em uma dobra do seu corpo) e entre os cupins.  


Diversidade dentro da mesma espécie. A figura mostra a nítida diferença entre macho e fêmea do Schístossoma sp. 

Várias formas encontradas em um cupinzeiro. A. obreiro; B. soldado; C. macho ou rei; D. fêmea ou rainha.