PRODUZINDO LEITURA

Leia o texto que segue.

TEMA DE REDAÇÃO

O vestibular de inverno monopoliza atenções e mais uma vez o fantasma da redação assombra os candidatos. A tarefa de escrever um texto com começo meio e fim e, de preferência, com algum sentido é mais temida que as equações matemáticas e fórmulas químicas. Por quê? Porque na hora da redação não existe a alternativa chute. Ou você sabe se expressar, ou leva pau.

Muitos se perguntam: por que um futuro médico ou engenheiro precisa saber redigir? Vivemos a era da comunicação instantânea: tudo o que pensamos é dito ao vivo, olho no olho, ou então por telefone, videoconferências, rádio, tevê, Internet, em que basta apertar as teclas certas para fazer se entender. Ninguém precisa ser um Rubem Fonseca para se comunicar via e-mail.

Que a frase oral é um must qualquer criança sabe, mas a decadência da palavra escrita precisa ser evitada, a não ser que já não tenhamos curiosidades em saber quem somos, de onde viemos e, principalmente, aonde vamos parar com essa preguiça.

Saber escrever não é obrigação apenas de quem vive disso. Escrever é básico pra todo o mundo, e se alguém só pega a caneta para assinar cheques merece nossa inveja pelo seu saldo bancário, mas também um pouquinho de compaixão.

Escrever serve, antes de mais nada, para conhecer-se. Para descobrir o que pensamos sobre os mais diversos temas. Serve para fazer um levantamento de nossas idéias e uma auditoria nos sentimentos. É uma maneira de comprometer-se consigo próprio, transformando o raciocínio em palavras documentadas, que podem ser relidas, analisadas, reconstituídas. Ou, vá lá, amassadas e jogadas no lixo, mas que existiram um dia, como os dinossauros. As palavras escritas são as pegadas que a gente deixa para a posteridade.

Falar, ao contrário, é gratuito, leviano, econômico. O que achou do último Batman? "Legal." "Nada a ver." Deu-se o milagre da comunicação, pode-se partir para outro assunto. Já quem for obrigado a escrever cinco linhas sobre o filme vai realmente descobrir o que achou dele. Faça o teste.

Uma terra de intelectualóides mudos, é essa a proposta? Não acho má idéia - tenho fascínio por gente silenciosa -, mas a proposta é outra: gente normal que escreva cartas, bilhetes, receitas médicas, receitas de pavê, listas de supermercado, postais, diários poemas, recados, avisos de mural ou torpedos, tudo legível. Gente que escreva sem visar à Academia Brasileira de Letras, que vise apenas a se fazer compreendido. Gente que escreva para si mesmo, tentando organizar a overdose de informações que se recebe atualmente. Gente que escreva para atrair fregueses, e não para afugentá-los: OJE TEMO MOCOTO.

Concluir o 1º grau é difícil no Brasil. Concluir o 2º é ato de bravura. E curso superior é um luxo para poucos. No total, são cerca de 15 anos diante de um quadro-negro. Alguma coisa está errada quando, depois de tanto tempo estudando, alguém ainda sofre para emendar duas frases que se complementem. Poupemos um pouco nossa voz. Escrever é bom, é terapêutico e torna-se fácil com a prática.

Eu sei, é fácil falar.

(MEDEIROS, Martha. In Zero Hora. 20/07/97)

1) Todo o texto está inserido numa situação comunicativa, ou seja, o redator/falante, num tempo e local determinados, dirige-se ao leitor/ouvinte (AUTOR/TEXTO/LEITOR/CONTEXTO).

1. Vamos recuperar o contexto da enunciação.

1.1. Quem escreve?

1.2. Onde escreve?

1.3. Para quem escreve?

1.4. Quando escreve?

 

1.5. Quanto aos parágrafos:

1.5.1. quantos são?

1.5.2. qual o mais extenso?

1.5.3. por quê?

 

1.6. Quanto à pontuação e tipos de letras:

1.6.1. qual o objetivo das frases interrogativas?

1.6.2. qual o objetivo do uso itálico em "must"?

1.6.3. qual o objetivo do uso das aspas?

1.6.4. qual o objetivo do uso de maiúsculas em "OJE TEMO MOCOTO"?

2) Análise das palavras-chave.

Numa primeira leitura, nem sempre temos uma noção precisa do que o "autor quis dizer" com o seu texto. Já num segundo momento, por meio de pistas seguras oferecidas pelo texto – as palavras mais importantes de cada parágrafo – , depreendemos a informação essencial. Em torno dessas palavras-chave, organizam-se outras a fim de que seja produzido sentido. Elas aparecem no texto de diversas formas: repetidas, modificadas quanto à classe, retomadas por sinônimos ou articuladores.

2.1. Qual a palavra-chave do texto?

2.2. Quais os vocábulos que retomam essa palavra-chave?

2.3. Como o autor caracteriza essa palavra?

2.4. Quais as informações trazidas por ela?

 

3. Análise das idéias-chave.

Após o levantamento das palavras ou da palavra-chave, podemos identificar a idéia que norteia o desenvolvimento de cada parágrafo.

    1. § / idéia-chave:
    2. 2º § / idéia-chave
    3. 3º § / idéia-chave:
    4. 4º § / idéia-chave:
    5. 5º § / idéia-chave:
    6. 6º § / idéia-chave:
    7. 7º § / idéia-chave:
    8. 8º § / idéia-chave:
    9. 9º § / idéia-chave:

4) Análise da estrutura.

Após a análise do texto quanto aos índices formais e enunciativos, faremos a análise da estrutura, observando como o texto se organiza.

    1. Sabe-se que todo o texto deve apresentar início, meio e fim. No entanto, a estrutura de "Tema de Redação" é mais específica. Identifique os parágrafos que constituem suas partes.
      1. situação inicial:
      2. problema:
      3. refutação:
      4. solução:
      5. avaliação:

RESPOSTAS

    1. Martha Medeiros; tal resposta assinala que estamos diante de um artigo assinado que expressa opinião pessoal da poeta/cronista porto-alegrense.
    2. Jornal Zero Hora; esse veículo, de publicação diária, é editado pela Agência RBS de Notícias, Porto Alegre – RS.
    3. Publicação dirigida ao público da Grande Porto Alegre e outras cidades do Rio Grande do Sul; aparentemente, tendo em vista o título, o texto restringe o público leitor; tem como alvo mais específico todos aqueles envolvidos com o processo de escrever: escritores, alunos de qualquer nível escolar, professores, imprensa, etc.
    4. 20 de julho de 1997; a data remete-nos a um momento (julho) no qual, tradicionalmente, ocorrem provas de vestibular em quase todas as instituições de nível superior, que solicitam a escritura de um texto como forma de seleção.

      1. 9 parágrafos.
      2. O sétimo parágrafo.
      3. Nesse parágrafo, a autora busca evidenciar o objetivo imediato do ato de escrever, sua aplicação prática à rotina, sua necessidade concreta, desligada da finalidade filosófica ou transcendental.

      1. Levar o leitor a refletir sobre o assunto, além de aproximá-lo do texto, proporcionando-lhe interação AUTOR/TEXTO/LEITOR e, conseqüentemente, construção do sentido.
      2. Além de destacar o uso de uma palavra em inglês, assinalar certa ironia, tendo em vista o fato de a autora considerar o texto escrito superior em importância ao texto oral.
      3. Reproduzir o discurso direto, tornando o texto mais próximo do leitor.
      4. Chamar atenção do leitor para o uso errado da língua e suas implicações.

    1. Redação
    2. "escrever um texto", "redigir", "palavra escrita", "saber escrever", "palavras documentadas", "cartas", "bilhetes", "receitas médicas", "receitas de pavê", "listas de supermercado", "postais", "poemas", "avisos de mural", "torpedos", "emendar duas frases", etc.
    3. "tarefa de escrever um texto com começo, meio e fim e, de preferência, com algum sentido".
    4. a) a redação constitui-se num fantasma que assombra os candidatos do Vestibular (confirmação de uma das hipóteses estabelecidas a partir do título).

b) a redação elimina a possibilidade do chute.

c) a redação é básica para todo ser humano, atendendo não só a suas aspirações mais transcendentais – resposta a perguntas existenciais –, mas também, sobretudo, a suas necessidades mais corriqueiras e prosaicas, como um lista de supermercado (confirmação de outra hipótese).

d) a redação é superior à oralidade, visto que esta não é a pegada "que a gente deixa para a posteridade; a oralidade" é gratuita, leviana, econômica,

    1. a redação no Vestibular é mais assustadora que equações matemáticas, porque anula a possibilidade do chute, revelando a incapacidade dos jovens para essa tarefa.
    2. pressuposta ausência de necessidade do texto escrito, visto que vivemos na era da comunicação instantânea.
    3. refutação: por que redigir textos é fundamental para todo e qualquer ser humano.
    4. gradação dos níveis da importância do texto escrito.
    5. gradação dos níveis da importância do texto escrito.
    6. caracterização da fala e de sua inferioridade face ao texto escrito.
    7. utilidade prática do texto escrito.
    8. retomada da idéia do 1º parágrafo – redação no Vestibular – e as implicações reveladas pelas dificuldades em se realizar essa tarefa para a qual o estudante é, em princípio, preparado pela escola no Brasil.
    9. opinião explícita da autora: falar é mais fácil que escrever, visto que redigir requer prática.

      1. 1º.
      2. 2º.
      3. 3º, 4º, 5º, 6º.
      4. 7º.
      5. 8º, 9º.

       

      De tempos em tempos, outro texto para a gente sistematizar.