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TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Liberdade sem fio (texto da Redação do ENEM 2011)

23/10/11 - Revista Galileu (pp) Imprimir

Internet aberta e gratuita para todos é uma ideia que ganha força ao redor do mundo. Pessoas comuns, organizações ativistas e governos se mobilizam para que o cadeado no sinal de wi-fi seja aberto de vez

É cada vez mais comum: você está caminhando pela rua e, de repente, seu celular avisa: rede wi-fi disponível. Você tenta acessá-la, mas descobre que precisa de senha. Provavelmente, também já sacou o laptop ou smartphone ao ler o aviso “zona de wi-fi” em um aeroporto, mas caiu em uma página de pagamento. Mesmo sendo uma de nossas principais formas de relacionamento com o mundo hoje, a internet ainda não é livre e irrestrita. Ainda. 

A ONU acaba de declarar o acesso à rede um direito fundamental do ser humano — assim como saúde, moradia e educação. No mundo todo, pessoas começam a abrir seus sinais privados de wi-fi, organizações e governos se mobilizam para expandir a rede para espaços públicos e regiões onde ela ainda não chega, com acesso livre e gratuito. Em meados de maio, voluntários do NYCWireless, grupo que trabalha pela internet aberta em Nova York, instalaram os primeiros roteadores do recém-lançado plano da prefeitura para conectar de vez a cidade. “Chegaremos ao ponto de abertura total do wi-fi”, diz Clotilde Perez, pesquisadora do Observatório de Tendências da USP. “Mas ainda há um caminho a ser feito.” 

Até setembro de 2010, 3 vizinhos do bairro Dirceu Arcoverde, o mais populoso de Teresina, Piauí, compartilhavam uma assinatura de banda larga. Como nenhum poderia bancar sozinho a mensalidade de R$ 180, contrataram uma conexão Oi/Velox e dividiam o valor igualmente. Mas a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) não gostou. Apreendeu o equipamento e multou em R$ 3 mil o dono da assinatura. A alegação é de que ele havia instalado um provedor de internet ilegal — embora não tivesse lucro. “Em vez de cobrarem o barateamento de preço e uma oferta abundante de banda larga, penalizaram o cidadão que estava se virando para acessar a internet”, diz o cientista político e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Sérgio Amadeu. 

Navegar na web não é simples por aqui. Menos de um quarto da população do país tem internet em casa ou no trabalho. Nossa banda larga é uma das mais caras do mundo — média de R$ 70 por 500 MB, enquanto no México sai por menos de R$ 30. No Reino Unido, um pacote de 3 GB custa cerca de R$ 40. Para ajudar a espalhar internet por aí, sem depender do governo ou da iniciativa privada, algumas pessoas têm simplesmente tirado as senhas de seus sinais de wi-fi. “Sou a favor de uma reforma agrária do ar. O espaço eletromagnético é um bem público, comum a todos. Infelizmente, acaba sendo loteado para poucos que podem pagar”, diz a produtora cultural gaúcha Elenara Cariboni Iabel, 47 anos. 

Quem acha uma temeridade wi-fi sem senha levanta 3 principais argumentos. Primeiro, a queda na velocidade de conexão. “Nunca tive problema com isso. Se tivesse, estabeleceria regras com meus vizinhos para o compartilhamento do sinal”, diz o cientista político e programador Pedro Belasco, 29 anos, de São Paulo, que sempre deixou sua rede escancarada. Muita gente também receia que um hacker invada seu computador (o que ele poderia fazer mesmo se a rede tiver senha) ou que alguém cometa um crime virtual, como acessar pornografia infantil, dentro da rede. “Aí a investigação começará por você, que corre o risco de passar por uma busca ou apreensão”, diz o advogado especializado em direito digital Rony Vainzoff. “Risco corremos até ao atravessar a rua. Mas sou contra o sistema como a internet é distribuída e acho que vale a pena”, diz Pedro Belasco. 

O criptógrafo americano Bruce Schneier — um dos maiores especialistas mundiais em segurança na internet, que já foi reconhecido pela revista The Economist como um guru da área — também diz não ligar para esses perigos. Alegando “boas maneiras”, ele deixa a rede wi-fi de casa aberta. “Se alguém cometer um crime em minha conexão, a melhor defesa será o fato de que ela era aberta.” 

Por via das dúvidas, há usuários que liberam sua internet, mas tentam criar um clima de intimidade com quem a está usando. O desenvolvedor de sistemas de informática Eduardo de Brito Castro, 29 anos, de São Paulo, colocou seu número de celular no nome da rede. Ele não fica em casa durante o dia, mas deixa o sinal aberto para os outros. Mais que segurança, o que o impulsionou a querer conhecer quem está usando seu wi-fi foi uma espécie de troca de favores. “Se um dia eu não tiver mais internet, por exemplo por não poder pagar mais, espero que quem estiver acessando hoje passe a compartilhar também”, diz. O que Eduardo propõe de maneira informal é um sistema que só deve crescer no mundo da internet livre: o de cooperativa. 

JUNTOS PELA WEB 

Abrir a rede wi-fi para quem quiser usá-la — e não pensar duas vezes antes de se conectar na rede alheia — foi apelidado nos EUA de wi-fi squatting. Uma referência ao hábito de se ocupar imóveis fora de uso sem pedir autorização (em inglês, squatting). Está lá, livre, você ocupa. Mas uma nova maneira de dividir a rede pode resolver temores de velocidade e segurança. Seu maior representante é um roteador criado pela empresa espanhola Fon que divide o sinal em dois: um privado e outro (uma pequena parcela de sua conexão) aberto a visitantes. Só pode usar essa segunda linha um membro previamente registrado, o que aumenta a segurança. A ideia do Fon é compartilhar a conexão com quem também compartilha, criando uma espécie de cooperativa. “É o que chamamos de crowdsourced wi-fi, porque é construído por várias pessoas”, diz Jen Allerson, chefe de comunicação da empresa, que já chegou a 150 países (planeja vir para o Brasil em breve) e tem 3,5 milhões de roteadores espalhados pelo mundo. Se o modelo vingar, poderemos ter cidades mais conectadas, como acontece com Tóquio, um dos locais com mais adesão ao Fon. “Você monta nuvens sobrepostas de sinais e consegue ficar online em vários pontos”, diz Sérgio Amadeu. A lógica é parecida à do celular, em que o sinal passa de uma antena para outra e você continua falando quando se desloca. 

O programador catarinense radicado na Alemanha Alexandre Strube tem 6 roteadores Fon. “Não há força maior que um geek sem acesso à internet. A ideia de ter uma conexão disponível em qualquer lugar era sedutora demais”, diz, se referindo à grande vantagem do sistema: poder se conectar à web mesmo fora de casa — e até fora do país. Porém, um Fon custa US$ 50 e é provável que você já tenha um roteador em casa. Fica outra alternativa: a banda larga grátis em espaços públicos. 

REDE NA PRAÇA 

Ativistas pela internet livre ao redor do mundo vêm batendo nesta tecla: levar wi-fi para parques, praças, rodoviárias e bibliotecas. Essa é uma das causas da organização sem fins lucrativos Wireless Toronto, no Canadá, que também trabalha para ajudar pequenos comércios a oferecer wi-fi livre para seus clientes e divulga em mapas os pontos de internet livre na cidade. “Nós amamos os espaços públicos e queremos vê-los sendo ocupado e usado de novos modos”, diz Gabe Sawhney, fundador do grupo. 

O wi-fi aberto e gratuito em áreas verdes como o Bryant Park, o Madison Square e o Wagner Park já são atrativos para quem mora ou passa por Nova York. Em parte, graças ao trabalho de organizações ativistas como a NYCWireless, que instala roteadores a pedido de quem quer financiar wi-fi em uma área de uso comum da cidade. Mas isso é apenas parte do trabalho. Outra importante parcela é a atuação política. “Transformamos a internet pública em uma questão primária para a administração de Nova York”, diz Dana Spiegel, diretor do grupo. 

Os membros da NYCWireless estiveram envolvidos em discussões na Comissão Federal de Comunicação e no Conselho de Tecnologia da Cidade. Mas a maior evidência de seu diálogo com o governo foi o convite para instalar, na região entre as pontes Brooklyn e Manhattan, os primeiros roteadores do plano lançado pela prefeitura para tornar Nova York a cidade digital número 1 dos EUA. O projeto foi anunciado em meados de maio depois de uma pesquisa revelando que os nova-iorquinos estavam sedentos por mais internet aberta pela cidade. Provê-la seria um papel do governo. 

PREFEITURA.COM 

No ano passado, a Finlândia passou a distribuir internet grátis em casa para todos os seus cidadãos. É a ação mais concreta de um governo no sentido de reconhecer o acesso à internet como direito fundamental do ser humano, por ser uma ferramenta para a liberdade de expressão, como declarou a ONU em maio. “O direito à comunicação é um direito humano. Se um dia esteve ligado à imprensa, hoje passa pela internet”, diz Daniela Silva, co-fundadora da Casa de Cultura Digital, que reúne projetos ligados à tecnologia em São Paulo. A rede também permite acesso a outros direitos civis, como cultura e educação. “Não queremos internet para todos porque é bacana, mas porque é um meio pelo qual as pessoas se conectam, trabalham e realizam coisas”, diz Pedro Markun, da Casa de Cultura Digital. 

Seguindo o caminho de países como Israel, EUA e Austrália, o governo brasileiro tem se movimentado para aumentar o alcance da rede. No ano passado, lançou o Plano Nacional de Banda Larga com foco em levar sinal para as áreas menos favorecidas. A meta até 2014 é ter 100 milhões de acessos à banda larga no país. No final de 2008, logo antes do início do projeto, esse número não ia muito além de 10 milhões. 

Cidades brasileiras também fizeram seus planos para expansão da internet. Belo Horizonte tem hoje 25 locais de acesso fornecidos pela prefeitura em praças, parques e rodoviária. Santos (SP) tem 3 pontos wi-fi na orla da praia. Mas isso deve ser apenas parte do trabalho. “Também é papel do governo levar internet para a casa das pessoas. Imagine ter que ir a um banheiro público tomar banho, é a mesma coisa”, diz Pedro Markun. Nesse sentido, o Estado do Rio de Janeiro foi além: implantou redes gratuitas não só na praia de Copacabana, mas abriu o sinal de wi-fi para cobrir bairros carentes como Santa Marta, Cidade de Deus e Rocinha. Da rua ou de casa é possível se conectar livremente à internet — e aos cursos profissionalizantes que fazem parte do projeto. Hoje já são 800 mil acessos por mês. O próximo passo é chegar ao Morro do Alemão, onde devem ser instalados 280 rádios para transmitir o sinal para toda a comunidade. 

Quando a internet aberta for difundida em todos os cantos, a ação de quem tira a senha do próprio wi-fi, dos ativistas que colocam internet na praça e dos planos da administração pública para ampliar a rede terão se feito valer. “Quando se rompe com o ideal do passado de controle, fragmentação e poder sobre a informação, um novo mundo se abre”, afirma Clotilde Perez. A pesquisadora acredita que o ser humano é investigativo por natureza, e com livre acesso ao conhecimento pode fazer de tudo. É como o menino da comunidade carente carioca que montou uma bicicleta de sucata depois de baixar na internet um tutorial feito por outro garoto na Índia. “As pessoas vão usar a internet para transformar a própria vida.” 


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