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HISTÓRIA

Trajetória da Guerra da Bósnia

10/04/12 - Wikipédia (gs) Imprimir

O Exército Popular Iugoslavo deixou oficialmente a Bósnia e Herzegovina em 12 de maio de 1992, pouco após que a independência foi declarada em Abril de 1992. No entanto, a maior parte da cadeia de comando, armamento e altos militares, incluindo o general Ratko Mladic, permaneceram na Bósnia-Herzegovina no Exército da República Srpska. Os croatas organizaram uma formação militar defensiva própria chamada Conselho de Defesa Croata como as forças armadas da auto-proclamada Herzeg-Bósnia. A maioria dos bósnios organizaram o Exército da República da Bósnia e Herzegovina. Esse exército tinha um grande número de não-bósnios (cerca de 25%), especialmente no 1ª Corpo de Sarajevo. O vice-comandante do Quartel-General do Exército Bósnio, foi o general Jovan Divjak, a mais alta hierarquia de etnia sérvia no exército bósnio. O General Stjepan Siber, de etnia croata foi o segundo vice-comandante. O Presidente Alija Izetbegović também nomeou o coronel Blaž Kraljević, comandante das Forças de Defesa Croata na Herzegovina, como um membro do Quartel do Exército bósnio, sete dias antes do assassinato de Kraljević, a fim de montar uma Frente multi-étnica de Defesa bósnia.

Várias unidades paramilitares operavam na guerra da Bósnia: as sérvias "Águias Brancas" (Beli Orlovi), "Tigres de Arkan", "Voluntários da Guarda Sérvia" (Srpska Dobrovoljačka Garda); as bósnias "Liga Patriótica" (Patriotska Liga) e os "Boinas Verdes" (Zelene VSM) e as croatas "Forças de Defesa Croata" (Hrvatske Obrambene Snage). Os paramilitares sérvios e croatas que participaram voluntariamente foram apoiados por partidos políticos nacionalistas da Sérvia e Croácia. Existem alegações sobre o envolvimento da polícia secreta sérvia e croata no conflito.

Os sérvios receberam apoio de combatentes cristãos eslavos de países como a Rússia. Os Voluntários gregos são acusados de terem tomado parte no massacre de Srebrenica, pois içaram a bandeira da Grécia em Srebrenica, quando a cidade caiu para os sérvios.

Alguns combatentes radicais ocidentais, bem como numerosos indivíduos da área cultural do cristianismo ocidental lutaram como voluntários para os croatas, incluindo voluntários Neo-nazistas daAlemanha e da Áustria. O Neo-Nazista sueco Jackie Arklöv foi acusado de crimes de guerra após o seu regresso à Suécia. Mais tarde, ele confessou ter cometido crimes de guerra contra civis bósnios muçulmanos em campos croatas de Heliodrom e Dretelj como um membro das forças croatas.

Os bósnios receberam apoio de grupos islâmicos vulgarmente conhecidos como "guerreiros santos" (Mujahideen). Segundo alguns relatos de ONGs americanas, houve também várias centenas deGuardas Revolucionários Iranianos ajudando o governo bósnio durante a guerra.

No início da guerra da Bósnia, as forças servo-bósnias atacaram a população civil muçulmana no leste da Bósnia. Uma vez que as cidades e aldeias estavam firmemente em suas mãos, as forças sérvias - militares, policiais, paramilitares e, por vezes, os moradores sérvios - aplicou o mesmo padrão: casas e apartamentos foram sistematicamente saqueados ou queimados, os civis foram caçados ou capturados, e algumas vezes espancados ou mortos durante o processo. Homens e mulheres foram separados, com muitos dos homens detidos nos campos. As mulheres foram mantidas em diversos centros de detenção onde tiveram que viver em condições higiênicas intoleraveis, onde eram maltratadas em muitos aspectos, inclusive sendo violentadas repetidamente. Soldados ou políciais sérvios viriam a estes centros de detenção, selecionar uma ou mais mulheres, tirá-las e estuprá-las. Os sérvios tinham superioridade devido ao armamento pesado (apesar de menos recursos humanos) que lhes foi dado pelo antiga Exército Popular Iugoslavo e de controles estabelecidos na maioria das áreas onde os sérvios tinham maioria relativa, mas também em áreas onde eram uma minoria significativa em regiões urbanas e rurais, excluindo grandes cidades como Sarajevo e Mostar. Os líderes militares e políticos sérvios, receberam a maioria das denúncias de crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, muitos dos quais foram condenados após a guerra nos julgamentos.

A maior parte da capital Sarajevo esteve predominantemente em mãos bósnias, embora o governo oficial da República da Bósnia e Herzegovina continuou a funcionar na sua com relativa composição multiétnica. Nos 44 meses do cerco, o terror contra Sarajevo e seus moradores variaram em sua intensidade, mas o propósito sempre foi o mesmo: infligir o maior sofrimento possível aos civis a fim de forçar as autoridades bósnias a aceitar as exigências sérvias. O Exército da República Srpska cercou a cidade (alternativamente, as forças sérvias situam-se nos arredores de Sarajevo o chamado "Anel ao redor de Sarajevo"), colocando tropas e artilharia nas colinas circundantes, que se tornaria o mais longo cerco da história da guerra moderna, que durou quase 4 anos. (Veja: Cerco de Sarajevo).

Inúmeros acordos de cessar-fogo foram assinados, e violados novamente quando um dos lados sentiam se em desvantagem. As Nações Unidas repetidamente, mas sem sucesso, tentou parar a guerra e o muito elogiado Plano de Paz Vance-Owen teve pouco impacto.

A cronologia dos acontecimentos foi o seguinte:

1992

  • 3 de março — Bósnios declaram a soberania da República da Bósnia e Herzegovina.
  • 2 de maio — Os sérvios e o governo instalado em Sarajevo se enfrentam por 12 horas, na maior batalha da cidade.
  • 6 de maio — Acordo de Graz
  • 30 de maio — ONU decreta embargo econômico à Iugoslávia.

1993

  • 31 de março — O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprova o uso da força para garantir o cumprimento da zona de exclusão sobre a Bósnia.
  • 27 de julho — Croatas e bósnios-sérvios concordam em fazer da Bósnia uma união de três etnias, mas no dia 29 de setembro, os bósnios discordam.

1994

  • 4 de fevereiro — Sérvios atacam Sarajevo, matando 45 e ferindo centenas de pessoas.
  • 28 de fevereiro — OTAN entra em combate pela primeira vez na história, ao derrubar quatro aviões bósnios.
  • 17 de abril — Sérvios entram na cidade muçulmana de Gorazde, declarada área de segurança.
  • 14 de setembro — Croatas e muçulmanos fazem uma confederação.

1995

  • 1º de janeiro — Definida uma trégua de quatro meses, interrompida por violações de ambos os lados.
  • 6 de julho — Início do Massacre de Srebrenica.
  • 25 de julho — Fim do Massacre de Srebrenica.
  • 28 de agosto — Bombardeio sérvio mata 43 pessoas numa rua em Sarajevo.
  • 4 de outubro — Otan ataca os sérvios pela segunda vez.
  • 11 de outubro — Entra em vigor uma trégua de 60 dias.
  • 1 de novembro — Começam as negociações em Dayton (EUA).
  • 21 de novembro — Acordo de paz (Acordo de Dayton) concluido.
  • 14 de dezembro — Acordo de Dayton é formalmente assinado em Paris.

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