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Profissão: Geologia

- -   F:  FE - Globo.com - Portal G1 - 19/11/2007


Áreas de trabalho são vastas e exigem formação em exatas. Estudo do subsolo é principal atribuição.




O geólogo é quem estuda o subsolo e procura recursos naturais que podem ser explorados pela sociedade. Só que com esta definição crua, não é possível ter noção da amplitude de áreas de trabalho e da diversidade de ambientes desse profissional das ciências da Terra. E um pouco de aventura também pode fazer parte do cotidiano.


Mina de potássio explorada pela Vale em Sergipe

Uma das áreas que mais absorvem profissionais da geologia é a mineração. Aí, pode ser necessário ficar dias embrenhado no meio de uma região erma próxima de uma mina de manganês. Ou, de repente, o geólogo se destina à exploração de petróleo, e passa semanas sobre uma plataforma de petróleo no meio do oceano.

Segundo o vice-coordenador de curso na Universidade Federal do Pará (UFPA), José Fernando Pina Assis, ser meio homem da selva é coisa do passado. “Nos anos 70, com as descobertas de jazidas, a gente era mais aventureiro do que bom geólogo. Hoje essa fase foi superada e tem mais técnicas e o trabalho é mais detalhista”, diz.

Mas se você imagina que a formação serve só para quem gosta da natureza e dispensa o conforto, está enganado. Muitos geólogos trabalham nas cidades para planejar as obras, como túneis, estradas, edificações, e garantir que tudo não virá abaixo, com uma chuva ou um deslizamento de terra.

GEOLOGIA

Da exploração dos recursos minerais às grandes obras







Bom, só assim, o campo de trabalho já parece grande, mas tem mais: a prospecção da água que fica no subsolo também abre muitas vagas para quem faz a graduação e a conservação e despoluição do meio ambiente completam o quadro das principais atividades da geologia. Isso sem mencionar a pesquisa e a docência.

Talvez por ter tantas áreas de atuação e mercado aquecido é que o curso tenha caído no gosto dos vestibulandos. “Há aumento da procura pelos cursos, o que se percebe pelo aumento da relação candidato/vaga nos últimos vestibulares de muitas das universidades que oferecem os cursos”, afirma a professora Lúcia Fantinel, presidente do Fórum Nacional dos Cursos de Geologia.

De acordo com Lúcia, atualmente existem 23 cursos de bacharelado, que oferecem a formação voltada para o mercado profissional ou para a pesquisa acadêmica, em geral ministrados em tempo integral. Além deles, a Universidade de São Paulo (USP) mantém um curso de licenciatura, chamado ciências da natureza, que pretende formar professores para o ensino fundamental. Segundo os professores, os cursos exigem grandes investimentos em laboratórios e, por isso, ainda não são freqüentes na rede particular.

Como é o curso

A graduação tem uma carga de exatas bem pesada e demanda muito estudo. “Quem não gosta de física, matemática, físico-química e um pouquinho da biologia não deve se meter nessa história”, brinca o coordenador do curso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ismar de Souza Carvalho.


Estudantes da UFRJ fazem pesquisa em campo

Não é à toa que a formação básica, nos dois primeiros anos de curso, é bem semelhante à das engenharias. “Só depois é que passa a ter uma vertente mais naturalista, de observação do espaço físico”, acrescenta Carvalho.

De acordo com o coordenador do curso da UFPA, Joel Buenano Macambira, além de estar preparado para um curso hard, é necessário gostar de conviver com a natureza. “Nosso trabalho, em geral, não é no ar-condicionado. Tem períodos em que o geólogo fica grande parte do tempo na natureza. Tem de gostar de cair na lama de vez em quando, ficar períodos longe da família e viajar”, diz.

E as viagens começam logo na faculdade, porque, segundo os professores, é impossível aprender sem a observação de campo. “Aqui na UFPA, pelo menos 65% da formação é em trabalho prático. E um bom curso precisa ter também bons recursos laboratoriais”.